quinta-feira, 23 de abril de 2009

O negócio da propaganda

Artigo extraído de Bloganda

As faculdades brasileiras de publicidade são as grades responsáveis pela formação do profissional de propaganda. Por isso as conquistas da nossa atividade profissional, são, também, conquistas dos mais de 500 cursos superiores de propaganda existentes no Brasil.

Com mais ou menos história, mais ou menos tradição, mais ou menos egressos de sucesso, esses cursos debatem o futuro da atividade e formam o profissional que atuará pelos próximos 20 ou 30 anos na propaganda. É muita responsabilidade.

Em resumida análise nos conteúdos programáticos dessas escolas, percebemos alguns traços em comum, independente da região do Brasil onde estão localizadas, e as semelhanças se dão no que é proposto e no que não é proposto como pauta de estudo. No índice de carências, identificamos que o jovem profissional de propaganda não encara a atividade como um negócio.

Não estou falando de empreendedorismo ou inovação. Essas duas disciplinas, de difícil definição, estão presentes na grande maioria das cargas horárias. Refiro-me a uma prática mais comum e convencional. O egresso do curso de propaganda, no Brasil ou em qualquer lugar do mundo, precisa de uma visão ampla sobre o negócio em que está inserido. De forma geral os novos profissionais foram expostos ao produto da propaganda e não ao negócio da propaganda.

PRODUTO X NEGÓCIO

Os conteúdos programáticos das escolas de propaganda contemplam as pesquisas (produto), o planejamento (produto), os planos de mídia (produto), a criação (produto), a produção (produto) e a avaliação de resultados (produto).

Os TCCs – Trabalhos de Conclusão de Curso avaliam a capacidade de criação e adequação dos produtos criados pelos alunos para clientes reais em situações reais, mas não levam em conta o impacto da propaganda no negócio do anunciante, nem a viabilidade das propostas para o negócio da agência.

Não encontro entre as muitas matérias relacionadas nos cursos de propaganda uma disciplina que explicitamente aborde o negócio da propaganda. Isso é uma falha, e tem como conseqüência, gerações de profissionais de propaganda mais envolvidos na excelência dos produtos que nos resultados do negócio da propaganda.

Antes que os críticos de plantão me lembrem que, mesmo assim, temos uma atividade dinâmica, com veículos, agências e fornecedores envolvidos com uma economia que equivale a 1% do PIB nacional, argumento que os grandes movimentos de nosso segmento se dão através de profissionais de propaganda com perfil administrativo e gerencial, que muitas vezes não são considerados publicitários, ou através de executivos financeiros ligados a grupos de investimento nacionais ou internacionais.

Fazer negócios na propaganda é uma atividade tão licita e tão publicitária quanto criar um anúncio ou fazer um planejamento de mídia, por isso, a importância que deve ser conferida a essa área do conhecimento. Quanto mais publicitários souberem fazer negócios, melhor será a propaganda brasileira.

Fonte: bloganda.com

1 COMENTÁRIOS:

Suzana Magalhães disse...

"Quanto mais publicitários souberem fazer negócios, melhor será a propaganda brasileira".

Concordo. Não é a toa que muitos egressos resolvem fazer MBAs, Pós em Gestão de MKT, Gerências e outros.
Não vou generalizar, mas o que eu vejo em Belém, sobretudo na UFPA (onde estudo), o produto realmente fala mais alto que o negócio.
É uma realidade que precisa ser mudada dentro das instituições de ensino superior, desde as pró-reitorias de graduação. Mas creio que será um processo lento, visto que depende de cada gestão e de cada pessoa que faz parte dela.
Enquanto isso, temos que buscar fora o que poderia ser ensinado lá dentro, desde o princípio. E aí, infelizmente, só quem tem condições financeiras para bancar uma boa pós.
É uma discussão longa, mas ela tem que começar dentro da cabeça de cada estudante, que tá lá na graduação se matando pra garantir um espaço nesse louco mercado.

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